Imigração fez antissemitismo aumentar na Europa

Imigracao fez antissemitismo

O antissemitismo está aumentando na Europa ocidental. Em 2017, 78% dos judeus alemães disseram perceber uma ameaça crescente. Em 2016, cerca de dois terços dos judeus franceses afirmaram ter a impressão de que havia “muito” racismo contra judeus no país. E quase metade (48%) dos leitores do semanário judaico Nieuw Israëlitisch Weekblad, da Holanda, admitiu estar preocupada com assuntos ligados à segurança e ao antissemitismo.

Números da França demonstram quão sérias são as preocupações dos entrevistados: em 2012, 1.900 judeus se mudaram para Israel saindo da França. Em seguida, o número de emigrantes disparou: em 2015, foram 7.800. Apesar de essa taxa ter caído para 5 mil no ano seguinte, ela ainda perfaz o dobro dos anos pré-2012. Judeus belgas também dizem estar alarmados: em Bruxelas, várias autoridades os aconselharam a não exibir publicamente os símbolos do judaísmo. Especialmente desde o conflito na faixa de Gaza em 2014, mães e pais judeus alertam suas crianças contra o uso da Estrela de Davi em público.

Os resultados das diferentes pesquisas foram resumidos num estudo atual encomendado pela Fundação Memória, Responsabilidade e Futuro e divulgado há poucos dias. Os 13 cientistas envolvidos estudaram o fenômeno antissemita em cinco países: Bélgica, França, Alemanha, Holanda e Reino Unido. O estudo traz o título “Existe relação entre antissemitismo e imigração na Europa atual?” O questionamento demonstra que os autores não queriam adotar um tom alarmista. Porém, eles chegaram a um resultado alarmante: o temor e a preocupação entre os judeus na Europa ocidental são “um fenômeno transnacional”.

Quando questionados sobre em que medida esse sentimento tem relação com a imigração oriunda da chamada região Mena (Oriente Médio e Norte da África), os autores dão respostas reservadas. Segundo o resumo dos pesquisadores, todos os levantamentos avaliados retrataram os imigrantes da Mena como uma “fonte atual ou potencial de antissemitismo”.

“Se observarmos as tendências do número de incidentes antissemitas registrados, fica claro que a Segunda Intifada, que começou em outubro de 2000 e durou até fevereiro de 2005, representou um ponto de inflexão significativo”, apontam os pesquisadores. “Desde 2000, certos acontecimentos em Israel, em Gaza e nos territórios ocupados desencadearam reações na Europa ocidental reiteradamente – incluindo incidentes antissemitas.”

Porém, segundo a análise, a postura antissemita entre muçulmanos é limitada. A pesquisa cita um estudo feito entre 2014 e 2015 que mostrou que 66% dos jovens muçulmanos entrevistados têm postura negativa em relação a sionistas, que defendem um Estado nacional judaico na Palestina. Mas apenas 12% deles tinham postura hostil em relação aos judeus.

Paradoxalmente, a síntese internacional publicada nesta terça-feira diz também que “jovens holandeses de origem marroquina e, mais recentemente, de origem turca, em sua maioria homens, participaram de assédio a judeus nas ruas do país”. “Cidadãos holandeses de religião muçulmana estiveram claramente presentes em incidentes antissemitas ocorridos no país em meados de 2014”, diz o estudo.

Segundo o documento, uma dessas manifestações reuniu adeptos da organização terrorista “Estado Islâmico” (EI), que teriam balançado bandeiras pretas e gritado “morte aos judeus” em árabe. A conclusão dos especialistas é que “posturas e/ou comportamentos antissemitas estão presentes entre minorias muçulmanas e também entre pessoas que simpatizam com grupos de extrema direita de maneira desproporcionalmente forte”. Em última análise, a pesquisa chega a um resultado complexo, cujos diferentes aspectos são difíceis de reunir numa conclusão.

“Alguns dados indicam que há ampla difusão de posturas antissemitas entre refugiados da região Mena – assim como de posturas positivas relativas à democracia, à igualdade de direitos e à convivência pacífica entre muçulmanos, cristãos e judeus”, diz o texto. Segundo os pesquisadores, não há indícios de que imigrantes do Norte da África e do Oriente Médio contribuem de maneira significativa para o antissemitismo na Europa.

Fonte: Deutsche Welle

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