Filme “Stefan Sweig – Adeus, Europa” estreia no Brasil

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Stefan Zweig: escritor judeu-austríaco. Nos anos 30, ao lado de Thomas Mann, foi o autor alemão mais lido e mais traduzido. Depois que o nazismo chegou ao poder, seus livros foram proibidos na Alemanha e, mais tarde, na Áustria. Ele emigrou para Londres em 1934. A partir de 1940 ele viveu principalmente no Brasil, onde, em 1942, ele e sua esposa, Lotte, tiraram suas próprias vidas.

Fevereiro de 1942: O obscuro quarto de Stefan e Lotte Zweig. Os jardineiros encontram os corpos sobre a cama, num abraço petrificado, sem vida. A polícia e os médicos chegam e revistam o quarto. Vizinhos e curiosos são impedidos de entrar, a notícia do duplo suicídio se espalha como um incêndio. Abrahão e Paulina Koogan, assim como Ernst e Erna Feder, chegam. Todos estão chocados. Uma atmosfera de agitação domina a cena, até que Ernst Feder é solicitado para ler a carta de despedida de Zweig, que ele escreveu em alemão:

“Petrópolis, 22 de fevereiro de 1942.
Declaração.
Antes de deixar a vida por vontade própria e mente sã, sinto a necessidade de cumprir
uma última tarefa: agradecer profundamente ao Brasil, este país maravilhoso, que deu a mim e ao meu trabalho um descanso tão hospitaleiro.
Dia após dia, aprendi a amá-lo mais. Eu não preferiria construir uma vida nova em nenhum outro lugar agora que o mundo que fala minha língua desapareceu para mim e que minha terra espiritual, a Europa, está se destruindo.
Mas, aos sessenta anos, temos que buscar forças extraordinárias para recomeçar do zero.
Minha vida foi cansativa, com muitos anos na estrada.
Então acho melhor encerrá-la na hora certa, com a cabeça erguida.
Uma vida na qual o trabalho intelectual sempre foi de pura alegria e liberdade pessoal, o maior bem que se pode ter no mundo.
Agradeço a todos os meus amigos. Que eles vivam para ver o amanhecer depois de uma longa noite.
Eu sou muito impaciente. Vou antes deles.
Stefan Zweig”


Entrevista com Maria Schrader,
premiada roteirista e diretora

A lista de escritores que foram forçados ao exílio durante a ocupação nazista é bastante longa. Por que Stefan Zweig?
Ele era uma super estrela no auge de sua criatividade, ao lado de Thomas Mann, o autor mais lido na língua alemã, a ser perseguido pelos nazistas e recebido como um estadista em todos os cantos do mundo. Ele era um pacifista radical que se recusou a lutar contra a Alemanha de Hitler. Ao mesmo tempo, ele usou seus recursos para permitir que outros fugissem da Europa.

Você consegue explicar o suicídio dele?
Ele tinha escapado da guerra, mas foi implacavelmente assombrado por ela. Thomas Mann, entre muitos outros, condenou-o por passar uma impressão errada de resignação, por conceder tal triunfo aos nazistas. Mas esta é apenas uma maneira de enxergar. Fico intrigada com as perguntas que surgem de uma decisão tão perturbadora. Como lidar com um mundo tomado pelo radicalismo? Como cooperar como artista? Os maiores dons de Zweig como escritor, sua imaginação e empatia, transformaram-se de bênçãos em maldição: ele não podia continuar enquanto, do outro lado do mundo, a Europa sucumbia em chamas. Ele não podia se distanciar da dor dos outros. Seria uma fraqueza? Seria o último ato de resistência de um pacifista? Talvez seja este o verdadeiro coração da humanidade?

Em que circunstâncias Stefan Zweig poderia ser contemporâneo?
Ele era um visionário, dedicando uma grande parte de sua escrita à idéia utópica de uma Europa unida, pacífica, sem fronteiras nacionais. Hoje ele é considerado um dos autores mais intelectuais da União Européia. Ele acreditava no poder pacificador do intercâmbio cultural e da diversidade, sua criatividade tinha origem em sua curiosa e entusiástica apreciação por idéias e pessoas. Numa época em que as discussões abertas já não eram mais possíveis e que tudo era preto ou branco, este mestre de nuances recusou-se a ver o mundo de uma forma simplista e a adotar a brutalidade verbal dos seus oponentes. Hoje também estamos vivendo numa época em que a histeria e a crueldade estão em ascensão. Zweig provavelmente ficaria chocado que nós, que experimentamos uma Europa pacífica e livre por um período de tempo tão longo, estaríamos dispostos a abandonar essa conquista.


Bastidores

Quando Stefan Zweig foi forçado a deixar sua casa na Áustria, em 1934, era um dos escritores mais prestigiados e mais lidos nos países de língua alemã. Depois que os nazistas assumiram o poder na Alemanha, em 1933, seus livros foram queimados e a situação na Áustria se tornou insustentável.
Naquela época, Zweig vivia em Salzburgo, e era vizinho de Hitler.

Em fevereiro de 1934 teve sua casa revistada pela polícia, por conta de denúncias que o acusavam de esconder armas para a organização paramilitar do Partido Social Democrata na Áustria, a “Liga de Defesa Republicana”. Zweig ficou tão horrorizado com esses incidentes que emigrou dois dias depois para Londres, sem sua família.

Em 1935, como todos os outros escritores judeus na Alemanha nazista, ele foi colocado na lista de autores indesejados e, após a “separação” da Áustria em março de 1938, ele não foi mais publicado por lá. Zweig pediu cidadania britânica. Muitos escritores fugiram para Londres e Paris, onde se proliferaram revistas e salões em língua alemã.

Em 1938, Zweig divorciou-se de sua primeira esposa, Friderike Zweig. Os dois já viviam separados desde 1934, quando Zweig começou seu relacionamento com sua secretária Charlotte Altmann, que acompanhou Zweig em suas viagens. Em 1939, Stefan e Lotte Zweig se casaram. Zweig permaneceu em contato com sua primeira esposa de forma respeitosa e amigável até sua morte.

Em 1940, Zweig e sua família deixaram a Europa para sempre, por medo de que a guerra se expandisse depois da rendição da França. Depois de várias escalas, chegaram a Nova York, principal refúgio de exilados de guerra, mas Zweig nunca se sentiu confortável lá. Graças a inúmeras traduções, Zweig era conhecido mundialmente e realizou palestras em vários estados latino-americanos, incluindo o Brasil.

Em sua segunda viagem, Zweig e Lotte passam cinco meses no Brasil para fazer pesquisas para o livro que ele veio a terminar na Universidade de Yale, em 1941. “Brasil, Um País do Futuro” foi finalmente publicada em seis idiomas diferentes simultaneamente, recebendo críticas dos opositores do governo Vargas.

Em 1941, decidiu alugar uma casa na cidade imperial de Petrópolis. Nos cinco meses que viveu por lá, escreveu “Xadrez”, uma de suas obras mais famosas. Foi também lá que editou sua auto-biografia “O Mundo que Eu Vi – Memórias de um Europeu “, onde descreve a perda da estabilidade e o declínio da velha Europa. O livro só foi publicado após sua morte e é considerado seu principal trabalho.

Ele confiou os manuscritos ao expatriado berlinense Ernst Feder, ex-editor-chefe do “Berliner Tagesblatt” e também exilado em Petrópolis. Em 22 de fevereiro de 1942, Stefan Zweig e sua esposa Lotte puseram fim às suas próprias vidas.

Em sua carta de despedida ele pediu um funeral modesto e discreto. Seu último desejo não foi concedido – o famoso escritor e amigo fiel do Brasil foi homenageado com um funeral de Estado pelo governo brasileiro. Hoje a casa em que viveu tornou-se o Museu-Casa Stefan Zweig, importante centro de pesquisa e difusão de sua obra.

Thomas Mann escreveu em seu obituário para o jornal Aufbau, em 27 de fevereiro de 1942: “Sua fama mundial foi bem merecida e é trágico que a força mental deste ser humano altamente talentoso tenha entrado em colapso sob a pressão insuportável de seu tempo.”


Trailer no YouTube: acesse.


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